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Vagas de emprego não são preenchidas por falta de habilidades dos candidatos
01/11/2018

No Brasil, existem 12,7 milhões desempregados, e 4,8 milhões de pessoas que perderam as esperanças e desistiram de procurar emprego, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em paralelo a esse cenário, existem muitas vagas de emprego que não conseguem ser preenchidas por falta de profissionais completos, o chamado skill gap. Cada vez mais, o mercado exige competências e habilidades dos trabalhadores, para as quais não existe formação.

Para a professora do MBA em Gestão de Pessoas do Centro Universitário Celso Lisboa, Vanessa Lacerda, a evolução de exigências teve início depois da Revolução Industrial, quando surgiu o movimento de substituição de mão de obra tradicional por máquinas. Entretanto, o aumento mais notório foi após a 4ª Revolução Industrial, com o boom das tecnologias:

- Hoje, o profissional não se relaciona só com seus colegas e gestores, mas também com a tecnologia. Nesse novo mundo tecnológico, com realidade virtual, neurociência, robótica e inteligência artificial, ele precisa ter destreza e saber gerenciar seu tempo.

As alternativas para adquirir as competências requeridas são frequentar cursos livres e de menor duração; estudar informações disponíveis na internet; participar de treinamentos internos nas próprias empresas para profissionais já contratados; ou, ainda, recorrer ao coaching, contando com a ajuda de pessoas já qualificadas.

- Para evitar o skill gap, é preciso ter interesse em ser inserido nessa nova economia digital. Para quem quer continuar dentro de modelos já ultrapassados, o risco do desemprego é grande — avaliou a professora.

Muitas empresas já realizam processos seletivos focados não somente no currículo, mas também na inteligência emocional dos candidatos e em outras habilidades necessárias na futura rotina. As que ainda não se adequaram a esse novo jeito de seleção, segundo Vanessa, só percebem a deficiência dos funcionários quando eles já estão inseridos, o que pode gerar problemas.

Reciclagem no processo seletivo

Organizações ligadas à inovação e tecnologia, em geral, já realizam seleções focadas em habilidades comportamentais e tecnológicas. De acordo com a professora do MBA em Gestão de Pessoas do Centro Universitário Celso Lisboa, Vanessa Lacerda, alguns exemplos são Google e Amazon.

No Brasil, algumas empresas que já estão consagradas também aderiram ao novo método, a exemplo da Cielo. Segundo a coordenadora de Atração, Employer Branding e Seleção da Cielo, Fabiana Falcão, durante a escolha de novos trainees e estagiários, o gestor realiza entrevistas finais, sem ter acesso aos currículos.

- A gente vive um contexto de plena evolução digital. Atitude e comportamento na dinâmica de grupo pesam mais do que experiências e que faculdade cursou — explicou.

Em decisão recente, a Cielo aboliu a exigência de nível superior completo na área comercial, a fim de ampliar as possibilidades de encontrar pessoas abertas, dispostas e com capacidade de aprender rápido. Protagonismo, liderança, trabalho em equipe e inovação são outras habilidades valorizadas.

Mercado, profissionais e universidades formam ciclo vicioso sem mudanças

O mercado é formado por um tripé: nova demanda das empresas, necessidade do profissional se qualificar, sem saber como, e universidades cujos cursos visam apenas formação teórica. Constrói-se, então, um ciclo vicioso no qual a culpa dessa lacuna de habilidades é sempre transferida.

O Centro Universitário Celso Lisboa mudou sua matriz curricular com base em competências e não mais em disciplinas. No curso de administração, por exemplo, o primeiro semestre trabalha o pensamento gerencial com conteúdos como: marketing estratégico e comportamento do consumidor, e economia aplicada à gestão.

A estrutura da sala de aula também é diferente. Para desenvolverem a comunicação e o espírito de equipe, os alunos sentam em grupo. Profissionais já graduados que queiram desenvolver habilidades comportamentais valorizadas no mercado devem investir em trabalhos voluntários:

- O profissional poderá aprender resolução de conflitos em discussões sociais, saber escutar e trabalhar em grupo — aconselhou Vanessa Lacerda.

Em um futuro próximo, segundo a professora de inteligência artificial da Fundação Instituto de Administração de São Paulo (FIA/SP - LabData), Alessandra Montini, robôs ficarão a cargo das tarefas operacionais, e humanos com a parte da criatividade e inovação, já que a inteligência artificial está presente em diversas áreas: no trânsito, quando um motorista recebe alertas se sonolência; no Jornalismo, no combate às fake news; na Medicina, com pulseiras que monitoram batimentos cardíacos e avisam o médico quando o paciente passa mal.

- O Big Data, conjunto de metodologias para capturar informação, armazená-la e gerar modelos para tomada de decisão pela inteligência artificial, já é parte do nosso cotidiano — explicou Alessandra.

Existem vários cursos sobre o tema, presenciais e online. A própria professora tem videoaulas gratuitas na plataforma internacional Coursera.

 

 

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