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Que imagem o mercado de trabalho faz de você?
21/02/2014

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A imagem profissional não é formada pela aparência, mas sim por um somatório de fatores que começam pelo campo comportamental. Por exemplo, quem teria um destaque mais positivo em uma organização: um colaborador que sai à busca de solução, mostra-se otimista e apresenta solução para os problemas ou, então, um funcionário que sempre é contrário dos processos de mudanças, é simpatizante das fofocas e em momento algum se mostra interessado em trabalhar em equipe? Sem dúvida alguma, o primeiro profissional forma uma imagem muito mais positiva do que o segundo e certamente será o preferido a permanecer no time. Mas, quais são os fatores que realmente contribuem para a formação a imagem de um profissional e em que momento da carreira, a pessoa deve se preocupar em demonstrar um diferencial positivo para o mercado ou para a organização em que já atua?

De acordo com Jöel Thrinidad, especialista em Gestão de Imagem e Carreira, infelizmente, muitas pessoas deixam para se preocupar em criar uma boa imagem e uma reputação respeitável quando já perderam oportunidades de crescimento interno nas organizações. "Manter uma imagem positiva dentro do ambiente de trabalho é imensamente necessário, uma vez que estamos sendo avaliados constantemente, quer seja pela vestimenta adequada quanto no tratamento dos colegas, nos relacionamentos interpessoais, resultando em uma credibilidade que muitas vezes antecede a presença e que seja coerente com nossos atos", afirma o especialista. EM entrevista ao RH.com.br, Jöel Thrinidad sugere ainda recursos para que o profissional trabalhe sua imagem junto ao mercado e consiga traçar um futuro promissor. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!

RH.com.br - Os profissionais estão conscientes da importância de cuidarem da sua imagem ou a maioria ainda não dá a devida relevância?

Jöel Thrinidad - Quero acreditar que a grande maioria dos executivos já tenha despertado para a importância da imagem profissional nos dias de hoje, até mesmo porque uma boa reputação não começa apenas no momento de uma oportunidade, mas antecede àquela que o profissional ansiava antes mesmo da carreira. É preciso haver coerência tanto de conhecimento quanto de comportamento para que não haja julgamentos de valores que o prejudiquem na hora de uma avaliação, quer seja por sua liderança na hora de uma promoção, quanto para clientes e fornecedores na hora de uma contratação de serviços.

RH - Em que momento da profissão os profissionais mais se preocupam em apresentar uma imagem positiva para o mercado?

Jöel Thrinidad - Essa preocupação deveria existir desde o começo da vida profissional, independente do cargo, ser efetivo ou a pessoa estar atuando como estagiário. Infelizmente, muitos deixam para se preocupar em criar uma boa imagem e uma boa reputação quando já perderam oportunidades de crescer dentro da empresa. Manter uma imagem positiva dentro do ambiente de trabalho é imensamente necessário, uma vez que estamos sendo avaliados constantemente, quer seja pela vestimenta adequada quanto no tratamento dos colegas, nos relacionamentos interpessoais, resultando em uma credibilidade que muitas vezes antecede a presença e que seja coerente com seus atos. Somos avaliados por nossas conquistas e também por nossas perdas, por esse motivo é tão importante antes de tudo focar no que você pretenderá do futuro para que saiba exatamente no que deverá trabalhar no presente.

RH - O que contribui para a formação de uma boa imagem profissional?

Jöel Thrinidad - O marketing pessoal é e sempre será uma excelente ferramenta para quem se preocupa em criar uma boa imagem por reunir uma serie de valores positivos capazes de levar as pessoas à percepção sobre nossa existência. Traduz o quanto nos preocupamos não somente com a aparência física, mas com os demais detalhes aliada à personalidade, à gentileza, à educação, ao conhecimento, à responsabilidade, ao compromisso, à ética, à coerência, à sensatez, à habilidade e influência em benefício da sua própria carreira. Ou seja, um bom profissional não é julgado apenas por sua aparência, mas também por seu comportamento.

RH - Que fatores que têm sido considerados "vilões", por prejudicarem a imagem de um talento?

Jöel Thrinidad - A inversão dos valores positivos acima contribui para a imagem negativa de qualquer tipo profissional sendo ele um aspirante ou um veterano. Entretanto, a falta de ética ainda é a maior vilã nos dias de hoje por ser um sinônimo direto de desonestidade, desrespeito, traição, difamação, tráfico de influencias e todo o tipo de comportamento inadequado, capaz de acabar com a reputação de qualquer um, estando ele bem ou malvestido. A falta de ética também torna as pessoas propensas a enganar, a maldizer e a tentar contra a idoneidade de alguém em beneficio próprio, prejudicando não somente a quem ele investe, mas a si próprio, uma vez que as pessoas sentem-se repelidas a conviver, a trabalhar e muitas vezes recomendar o trabalho de tal profissional.

RH - Por onde se começa a trabalhar a imagem de um profissional?

Jöel Thrinidad - É impossível não começarmos a trabalhar uma imagem profissional a partir de nós mesmos. A aparência pessoal é imprescindível por criar uma primeira boa impressão, independente da beleza. Ter a preocupação consigo mesmo demonstra o quanto de zelo sentimos por nós, que percepção temos do mundo a partir de uma autoestima equilibrada. Sempre digo que qualquer pessoa que se preocupada em estar bem vestida não tem receio de ser notada. Pelo contrário, ela se sente segura de expor uma opinião, defender uma ideia, a aceitar desafios, a interagir com as pessoas justamente por ter a consciência de quem é e de como deve ser tratada. Muito mais importante do que estar na moda, ter os cabelos bem cortados, unhas, pele bem tratadas e fazer uso de roupas convenientes a sua atividade e o seu cargo contribuem para uma postura positiva e, consequentemente, bons julgamos. Afinal de contas quando abrimos o guarda-roupa e nos vem à pergunta: "Com que roupa eu vou hoje?", a verdadeira pergunta desponta em seguida é: "Com que roupa eu quero ser visto hoje?", "Que produto eu quero que comprem?", "Qual imagem eu quero passar?", "Que qualidade eu quero que percebam da minha pessoa?" e por fim: "Qual é a forma correta que eu gostaria que me tratassem?".

RH - Durante esse processo de marketing pessoal, quais as fases que o senhor considera fundamentais?

Jöel Thrinidad - O autoconhecimento eu poderia dizer que é o principio de tudo. Quando sei o que quero e aonde eu quero chegar, eu começo a trabalhar para que as coisas aconteçam à minha volta, por quais meios eu irei me conduzir, quais habilidades eu devo ter, com quais pessoas irei relacionar-me e, por fim, quem eu quero ser quando crescer. Para isso, é preciso ser uma pessoa otimista e bem humorada colabora para que você conquiste aliados. Outra fase importante é aprender desde cedo a lidar com as pessoas, administrando conflitos e demonstrando ter interesse por elas, contribuindo com suas atividades, nem que não façam parte do seu trabalho. Isso ajuda com que as pessoas o vejam como um profissional acessível, colaborador, proativo e comunicativo. Trabalhe pela assertividade. Faça com que as pessoas percebem que você cumpre compromissos, tem palavra, transmite confiança, honestidade e que não falta com a verdade. Ouça a opinião de outras pessoas. Procure torná-las uteis à sua volta, ouça o que têm a dizer, a ouvir sugestões, opiniões. Dar e receber feedbacks também colabora para uma boa imagem. Procure saber por outras pessoas quais são seus pontos fortes e francos e não se distraia com nenhum deles. Por fim, não deixe de fora, nem por um minuto de fora da sua vida a humildade. Admitir erros e falhas permite que as pessoas sintam-se disponíveis a lhe ajudar e assim obterá mais dessa relação profissional que nem sempre ultrapassa o emprego atual.

RH - Uma vez que o profissional tem sua imagem prejudicada no mercado, ele consegue reverter esse fato ou terá que conviver com ele por toda a sua vida?

Jöel Thrinidad - Nada nesse mundo é permanente. Entretanto, o que perdura por mais tempo são as lições que a gente aprende com a vida. Todos os dias, cometemos erros e eles são necessários para o nosso crescimento e desenvolvimento de caráter. O que é levado em consideração é o quanto o profissional está disposto a mudar e o que tenha levado da vida como ensinamento das falhas que cometeu. Do contrário um profissional que faliu no passado não poderia retomar os negócios, o demitido não se tornaria a se empregar novamente, nem tão pouco haveria perdão para a humanidade. As dificuldades servem para compreendermos que existe um equilíbrio entre o certo e o errado. O desafio é usar da sensatez para fazer o melhor possível e humildade para reconhecer um erro para tornar a seguir a diante. Deveríamos temer é o profissional que não erra, afinal de contas como nos aconselhará a evitar um erro que não fora aprendido?

RH - Quais são as principais preocupações das empresas em relação à imagem do profissional que é contratado, notadamente para os que ocupam cargos estratégicos?

Jöel Thrinidad - Todo o marketing estratégico utiliza a imagem de seus produtos para vender qualidade, confiança, segurança e vantagem aos seus clientes e consumidores, justamente para que eles se sintam atendidos em suas necessidades e, consequentemente, a empresa sinta-se reconhecida, apreciada e valorizada. Felizmente, essa forma de comercialização não está presa apenas aos produtos. Os bons profissionais também passam por essa avaliação. Como a empresa não é uma instituição autônoma, ou seja, ela precisa de pessoas para existir, é preciso que se acerque dos melhores profissionais que puder contratar e que eles contribuam para a boa imagem e credibilidade que a empresa espera levar ao mercado e que isso gere incontáveis benefícios à própria carreira. O mercado está cada dia mais competitivo e a concorrência especializa-se em se manter mais ativa a cada instante e muito mais interessada a descobrir no que concorrência está investindo a cada momento do que lançar novos produtos, facilitando uma tomada de decisão estratégica, qualificada, nem que tenham que pagar mais por um bom profissional.

RH - Hoje, observamos que algumas organizações recorrem à internet para saber mais detalhes sobre a imagem dos futuros contratados. O que o senhor pensa sobre a relação entre os processos seletivos e as redes sociais?

Jöel Thrinidad - Vivemos em uma sociedade que dita cada vez mais os padrões de comportamento que devemos ter, além de incentivar a competitividade extrema em todas as áreas. É ingenuidade pensarmos que aquilo que está sendo publicado na internet ou nas redes sociais não sirva como fonte de informação a nosso respeito, para quem quer que seja. E baseado nisso muitas empresas utilizam dessa ferramenta para saberem mais sobre seus clientes e também sobre seus colaboradores. Já levar em consideração a informação investigada na hora da contratação é totalmente factível ao modelo de gestão de cada empresa. Seria prudente que determinadas informações não fossem publicadas, a fim de que não fossem mal interpretadas, quer sejam para uma avaliação informal ou por uma avalição jurídica, no caso de ser uma empresa. Infelizmente, no momento em que estamos participando de um processo, tudo é avaliado e muitas empresas ainda mantêm em seu corredores o modelo conservador do passado que julgava a inovação como uma ferramenta desnecessária. Entretanto, quanto se trata de pessoas, qualquer informação a respeito acaba tornando-se útil como se o profissional fosse uma propriedade dentro ou fora da empresa. Vivemos tempos de muitas transformações.

RH - Quando um profissional chega até o senhor para trabalhar a imagem dele junto ao mercado, quais são as colocações apresentadas para que o processo tenha êxito?

Jöel Thrinidad - Em um processo de coaching toda a informação que o profissional trouxer sobre si é importante. No tratamento com meus clientes alguns testes a respeito de seus comportamentos tanto pessoais quanto profissionais são indispensáveis e os resultados são levados em consideração, uma vez que a interpretação precisa ser analítica e imparcial e menos pessoal possível. Isso contribui, para que o profissional sinta-se seguro na hora de discutir sobre seus pontos fortes que podem ser melhorados e os pontos fracos que precisam ser corrigidos. É importante lembrar que não são apenas aspectos físicos como a aparência que são levados em consideração para a construção de uma boa imagem profissional, mas também seus pontos de vista. Se é uma pessoa negativa, pessimista, competitiva para o mal, autoritária, indisciplinada, interesseira, corrupta propensa às fofocas, desleal e egoísta. Tudo isso é trabalhado para que ele se qualifique e se torne melhor, obtendo êxito em um processo seletivo ou uma promoção, mas que também consiga manter-se empregado e valorizado pelo tempo pelo maior tempo possível.

RH - O que o senhor diria para quem deseja melhorar, cada vez mais, a imagem diante de mercado exigente e tão mutável como esse que se apresenta no momento?

Jöel Thrinidad - Antes de tudo se manter atualizado. Um profissional preocupado com seu bem-estar, antenado a tudo o que acontece à sua volta, qualificado, bem relacionado e inovador consegue estar preparado para todas as oportunidades que surgirem à sua frente. Ainda é mais inteligente o profissional que consegue adaptar-se facilmente às adversidades e com isso procura melhorar seus aspectos pessoais sem deixar de se preocupar com o que os outros pensarão a seu respeito. É engano achar que não precisamos provar nada a ninguém. Pelo contrário, na vida profissional precisamos o tempo todo mostrar que somos capazes e otimistas. Persistentes e determinados. Acessíveis e comunicativos. Se fossemos julgar a nós mesmos não seriamos julgados, mas como somente um ser humano pode validar outro ser humano o melhor a fazer é continuar buscando melhorias continuamente.

 

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